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Os sonhos não envelhecem


Observação

Um início de sábado ensolarado com café e pastel da feira quentinho. Desde a crônica do Caco, a lembraça do pastel enchia a minha boca d'água e desta vez o Marcão se dispôs a buscar na feira, enquanto eu me preparava para irmos ao centro da cidade. Resolvemos caminhar até o centro da cidade! Da minha casa até lá, aproximadamente quarenta minutos caminhando e resgatando mais de trinta anos de história, minha história... Primeiro percorrendo o trajeto até a velha escola da Vila Fiori, bairro onde meus pais se criaram, se conheceram e nós crescemos.

Lembrei de quando fazia aquele caminho apertando a mão da Mara, de quando revesávamos enquanto uma se equlibrava no meio fio e outra apertava a mão, para "transmitir equilíbrio". Depois, passando pelas casas onde moravam nossos amigos. Saíamos da casa dos meus pais, um pequeno trajeto e já erámos um grupo de quatro crinaças e quando chegávamos na escola já somávamos seis ou sete. 

Fizemos o trajeto pela rua do cemitério e a antiga loja e oficina de reparos de máquinas de escrever e calcular. Curioso! Ainda existe... Depois, os brejós da Rua Padre Luiz e uma breve parada na tinturaria e raparadora de jeans, onde o Marcos descobriu ser o um dos primeiros clientes casdastrados quando a loja foi inaugurada.

Não resistimos e entramos no Mercado Municipal, onde o cheiro de carne me levou ao tempo em que minha mãe por lá passava para garantir a guarnição do almoço ou do jantar, antes de pegarmos o coletivo da antiga VIMA que mantinha ali o seu terminal assustadoramente desorganizado de ônibus. Este passeio nos fez rever velhos rostos, conhecidos e foi irrestível não comprar alguns gramas de pistache, damasmo e amendoim à granel. Já passava das 13h30 quando lembramos que o Kyodai abre para almoço aos sábados, ligamos para nosso amigo João e mais dez minutos de caminhada, passando pela catedral, já estávamos lá aguardando uma porção de sushis, que para um dia quente foi a melhor pedida! No retorno o céu estava nublado, o que tornou a caminhada menos cansativa. Fizemos um caminho diferente passando pelo Largo do Líder, em frente ao antigo Cine Lider, que por algum tempo há uns cinco anos atrás abrigou o bingo e hoje se transformou em uma igreja. Um pouco a frente, já na esquina com a Rua Aparecida, o Bar do Américo e as histórias da melhor coalhada de Sorocaba. Ainda persistente! Passamos pelo Despachante Lider onde fiz a transferência do meu primeiro e único carro me surpreendendo, uma semana depois, com o falecimento do proprietário Sérgio que tão atenciosamente me orientou sobre as multas adquiridas a contra gosto na minha primeira semana de trabalho em Boituva e logo mais o antigo Clube Estrada, com seu estádio.

Estava próximo das 15h30, quando passamos em frente a Pastelaria Akira e já estavam se preparando para abrir quando novamente lembrei do pastel que iniciou minha manhã e de quanto os japoneses se dedicam ao trabalho, em especial à culinária.

Estávamos há uns quinze minutos de casa quando começou a chover e fizemos questão de caminhar com menos velocidade, absover a chuva e momentos tão simples, necessários e únicos como este passeio que poderiam ser frequentes e não são! Não sei o motivo... Mas, que o meu dia foi muito melhor depois disso é a única certeza que tenho. 



Escrito por Meire às 23h54
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