Alguns fatos são mesmo inexplicáveis. Quando perdemos a Lili durante uma cirurgia, decidi não ter mais nenhum cão. A principal razão era o sentimento de perda, a culpa do tempo de solidão que a Lili tinha que suportar em função do novo trabalho, que me pemite retoranar para casa somente a noite. E mesmo sentindo falta de um latido amigo para me receber, estava convicta de que esta era a melhor opção. Numa manhã de setembro do ano passado quando saí com o carro atrasada para o trabalho, observei a distância, correndo pela rua uma bolinha de pelos preta, meio tigrada, na eminência de ser esmagada pelo primeiro veículo que por ali cruzasse. Não tive dúvidas, pedi a um dos homens que estava na calçada que a segurasse para mim e lhe perguntei se não era o dono. Como respondeu que não, coloquei-a no carro e neste momento, ela pôs o focinho sobre o câmbio e ficou apenas me observando. Voltei para casa, toquei a campainha e o Marcos ainda esfregando os olhos de sono, ficou sem entender nada quando pus em suas mãos aquela coisinha esquisita, pedindo que cuidasse dela e que à noite conversássemos sobre como a encontrei. Quando retornei ela já estava totalmente integrada ao quintal e a antiga casinha da Lili, ainda que pudesse ocupar apenas metade do espaço em função de já ter quase o dobro do tamanho que a Lili tinha. Decidimos que se chamaria Nina e na sua primeira noite conosco ficou quietinha, mas na segunda já não aceitou bem ficar sozinha em nossa área de serviço. Em função de uma noite mal dormida e a necessidade de companhia para minimizar a solidão da Nina, o Marcos escolheu a Sol, em uma feira de doação que acontece a cada quinze dias, promovida pela FAS. Aí, os fatos inexplicáveis - não queria nenhuma e agora estávamos com duas, a rolar pelo quintal! Novamente aquela bagunça e tínhamos um jardim, tínhamos paredes extenas limpas, tínhamos um toldo na área de serviço, mas ainda temos verdadeiras e fiéis amigas, que nos amam incondicionalmente, mesmo com mau humor... basta olharmos para elas que já se viram de barriga para cima. Quisera a humanidade ter a percepção de felicidade que tem um cão, contando apenas com um afago, um pote d'água e punhado de ração. Caso queira uma amigo de verdade, aconselho procurar pela FAS ou em Itaipava/RJ, a GAPA Itaipava que desenvolve o mesmo trabalho de posse responsável. Eu recomendo!
"As pessoas que se comprazem no sofrimento, que gostam de sentir-se infelizes e fazer aos outros infelizes, jamais poderão orgulhar-se de sua beleza. O mau humor, o sentimento de frustração, a amargura marcam a fisionomia, apagam o brilho dos olhos, cavam sulcos na face mais jovem, enfeiam qualquer rosto. Essa é a razão porque a mulher, que cultiva a beleza, deve esforçar-se para ser feliz. Felicidade é estado de alma, é atmosfera, não depende de fatos ou circunstâncias externas.”
“Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente.”
"O que réstias de cebola têm a ver com a civilização e impermanência"
(Caco de Paula)
Um passeio a feira com direito a aroma de pastel!
Quero agradecer a Caco de Paula por tornar ainda mais encantadora a edição de março da Revista Vida Simples.
Os pastéis da feira livre ainda são os meus prediletos, além das lembranças de infância dos passeios matinais ao colorido e animado espetáculo das bancas, que me fascinam até hoje.
Lembro dos doces comprados a granel... batata doce (roxa e amarela!), doce de cidra, cocadas e cajuzinhos. Do barulho do carrinho que minha mães puxava atrás de si, com uma das mãos de punho para cima. De encontrar meu avô Nezo na banca de pastéis, com seu jeito tranquilo e popular. Do meu vô Juquinha, de sacola colorida e chapéu na cabeça, preocupado com suas "crianças", dentre elas minhas mãe... do cheiro da sardinha fresca. Da bronca rotinera da minha mãe, que ralhava com meu pai que quando fazia a feria só, empolgado com a beleza e preços baixos das frutas e legumes, exagerava na quantidade.
Dica: Imperdível a crônica completa "Pastel de Feira" de Caco de Paula, na edição da revista Vida Simples deste mês.
Para fechar com chave de ouro esta série em homenagem a nós, GRANDES MULHERES, uma nova paixão... a voz e a musicalidade de Roberta Sá. Ouvi pela primeira vez na Eldorado FM e como para ela, palavras são dispensáveis, deixo aqui o meu vício do momento - a canção "Mais Alguém".
Miriam Cris Carlos: minha irmã, minha amiga, meu orgulho e alegria. Do latim: a Soberana!
Na noite de 08 de março, dia em que celebramos a retórica heróica de todas as mulheres, nos presentou com o lançamento de seu livro "Arteiras Sorocabanas" - uma homenagem a 21 mulheres, operárias da arte de Sorocaba, lapidado com o talento mágico, em preto e branco das lentes de seu companheiro, parceiro de vida e cúmplice - Werinton Kermes. O trabalho é resultado de uma série de artigos publicados no suplemento Ela do Jornal Cruzeiro do Sul e toda a obra teve a produção da jornalista Luciana Lopez.
Como foi bastante divulgado, tanto nos jornais, quanto na TV, fomos surpreendidas (minhas irmãs, minha mãe e eu), pela presença de algumas amigas de infância. Fato que deixou a noite refleta de boas lembranças e trouxe ainda mais brilho ao lembrar que num bairro de periferia, como a Vila Fiori, situado na Zona Norte de Sorocaba, quebrando todos os paradigmas possíveis, uma menina que estudou na escola pública estadual, que começou a trabalhar aos 13 anos de idade, se encantou pela poesia, pelo violão e desenvolveu a talentosa arte de escrever, tornou-se uma "doutora"... incansável, alimenta-se de arte e arteira é feliz, porque simplesmente vive, simples e profundamente.
Minha inspiração, para a música, para a arte... para a vida! Beijos para você minha querida irmã!
No domingo passado recebi a visita de algumas das principais mulheres da minha vida. Entre bolos, pães e café, um pouquinho da história e da experiência de cada uma com muita alegria e carinho. Numa das pontas da mesa, a exepriência singela, simples e observadora da minha avó Durvalina, que sempre completa as histórias com sorriso tímido, daqueles escondidos pelas mãos, mas com a lucidez e compreensão de quem já sabe muito bem como transpor e superar pequenos e grandes problemas. Na outra ponta, o bom humor e o otimismo encantador da minha sogra Heleny. Seu mundo é de fantasias e há sempre uma frase de incentivo e de justificativa para a minha completa e total falta de competência para as atividades domésticas. Minha mãe Emília e a sua admirável capacidade e disposição de mudar, inovar e nos demonstrar com pequenos e silenciosos gestos seu enorme afeto, visto isso, trouxe para enriquecer nosso café, os bolinhos (tipo aqueles de chuva!) que a-d-o-r-o desde a infância! Minhas tias e primas ainda como pintinhos que se aninham e procuram abrigo debaixo das asas de minha avó, com mil histórias contadas ao mesmo tempo e elevado tom... barulho já característico das tarde de domingo na casa de minha avó. Minhas queridas irmãs Miriam e Mara, tão distintas, mas ao mesmo tempo de almas idênticas à minha, com as mesmas canções, paixões e impressões que nos tornam unidas e dependentes (ainda bem!!!). Queria ainda completar esta mesa com minha vó Tica e sua eterna nostalgia... chorosa, mas digna de versão cinematográfica, pena que não pode vir. E assim entendo minha vida, minha existência, meu ser, minhas lembranças aromáticas como esta - com cheirinho de bolo e café! Entendo o amor em seus pequenos momentos, que a vida nos presenteia e se tornam eternos.